NIMiMS?

Há anos eu argumento que os estudos sobre música, em especial aqueles feitos com um pé nas Ciências Sociais e na História, costumam ficar dando voltas em torno da música e nunca conseguem de fato “colocar as mãos” nela.

É claro que há honrosas exceções, mas é bem comum ainda ver pessoas desavisadas por aí falando coisas como “dimensão puramente musical”, “o som em si”, “só as notas” etc., e todos na área conhecemos as implicações disso. Embora na maioria dos casos seja possível saber o que a pessoa quer dizer, é inegável que falar assim parece pressupor que alguém consegue ouvir música como som puro, sem pelo menos associar aquelas estruturas sonoras a qualquer outro elemento que traga na lembrança.

De certo modo a questão é tão antiga quanto as próprias disciplinas que ora com ela se debatem. Assim, é com um misto de alívio, curiosidade e animação que vejo que há uma rede de pesquisadores preocupados exatamente com a inclusão da música nos estudos de música

A definição, aparentemente absurda, não podia ser melhor, mas o tamanho do nó pode ser visto na própria explicação dada ali para o problema:

(…) NOTHING BUT THE MUSIC excludes itself from the larger set of learning of which it is an integral part (music studies). ‘The music itself’ cannot be part of music studies if it is so exclusive about itself!

§2 EVERYTHING BUT THE MUSIC ( ‘antithesis’). The actual sounds of music (its sonic materiality, see §1) are either ignored or treated as peripheral to the context in which they exist. (…)

Quando se tenta explicar a questão em jogo, as próprias palavras nos traem e levam a tratar música como se fosse uma coisa que se reveste de uma camada de “social”, cabendo a quem pesquisa revelar isso. No entanto, pelo menos da maneira como entendo, as estruturas puramente musicais nem existem, já que mesmo o elemento mais simples – aquele baixo de Alberti no acompanhamento, uma melodia feita basicamente de arpejos, o som de baixo tocado com palheta – é “social” na exata medida em que é “musical”. Não se consegue ouvir nada disso com ouvidos neutros, sem ao menos relacionar com alguma outra coisa, logo não é que social e musical estejam juntos, o caso é que eles são a mesma coisa. O musical é social precisamente em sua “musicalidade”.

Parece que quanto mais tento explicar isso mais a linguagem me força a cair exatamente naquilo que quero evitar… Espero que pelo menos nossas pesquisas possam mostrar a realidade desse palavrório todo.

NIMiMS – Network for the Inclusion of Music in Music Studies

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