Um comentário rápido sobre o Grammy

Tem sido quase um lugar-comum dizer que nos últimos anos houve um movimento do indie/alternativo/leftfield em direção ao mainstream, fazendo com que o pop atual soe muito próximo com aquilo que antes estaria fora dele.

Em primeiro lugar, vale lembrar que essa é uma tendência comum, presente em certo grau em quase todas as épocas da história da música popular urbana. Em segundo lugar, é inegável que há uma proximidade muito grande no som entre o pop atual e muita coisa que se entenderia como indie ou alternativa hoje.

Peguemos como exemplo o último disco da Kimbra. Em geral vista como fora do mainstream – claro, teve a música com o Gotye, mas isso não parece ter afetado tanto a produção dela -, não fosse por certo “destemor” em aproximar e até fazer se chocarem diferentes elementos, o último disco soaria como muita coisa do pop atual.

Sugar Lies, por exemplo, soa tão diferente de muita coisa pop por aí?

É claro que dificilmente alguém iria ouvir aquilo e pensar que é Taylor Swift, mas o que me parece é que atualmente é o indie que está chegando cada vez mais perto do mainstream, e não o contrário…

Mas se a caminhada do alternativo pro mainstream é um movimento comum, como sei que não é isso que está acontecendo agora? Como sei que não é o pop absorvendo o indie mais uma vez? Meu palpite é que, primeiro, o indie atual tem um apelo imediato, uma coisa de dar a quem ouve exatamente o que se espera, e isso, a meu ver, seria típico do pop. Nem na sonoridade, nos “timbres” – onde o alternativo dos anos 90 mais claramente se afastava do mainstream, com aquela sonoridade “de garagem”, como se dizia na época -, isso acontece mais – até porque houve um salto considerável em relação aos anos 90 quanto ao que se consegue fazer hoje em dia num home studio. Em segundo lugar – e mais importante -, eu arriscaria dizer que artistas alternativos surgidos depois dessa sonoridade atual do pop continuam soando como aqueles que inventaram essa sonoridade, em vez de romper com ela por ela ser mainstream.

Por exemplo, a Lorde, estrela do Grammy de uns dois anos atrás e de quem já não se fala mais tão frequentemente, é mainstream ou indie? Me pergunto se a questão se resume à capacidade técnica de um home studio atual…

A ver o que vai acontecer nos próximos anos.

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